TOC: O Problema da Ocupação Total do Ócio Nos Dias Da Masturbação Crônica por Lucas Barata

Passei semanas jogando Paciência desenvolvendo um ânsia absurda por conseguir ganhar naquele jogo. Enquanto ouvia música, ligava pra alguém ou lia um artigo, jogava paciência por horas e horas. Fiz disso meu esporte. Usava a cabeça um pouco e tentava desvendar cada partida. “Ora, se eu fizer isso aqui eu acho que posso voltar se fizer merda, ou talvez nessa sequência aquela carta valha mais que esta aqui”. Foram dias, tardes, noites e madrugadas jogando e ganhando de vez em quando. Sério, eu perdi muito. Creio que foi em um dia desses, onde eu perdia muito mais do que ganhava, que resolvi estabelecer uma meta: eu ganharia 100 jogos e nunca mais jogaria.
Okay, eu tinha um número pra alcançar. Tá que eu já tinha mais de 400 derrotas, mas isso não me impediria de sair dos 25 jogos ganhos. Joguei mais tantas horas até chegar aos 60, e mais mil horas até os 88. “Beleza, caralho, tô quase retomando controle sobre a minha vida!”. Eu estava no fim daquela porra de marasmo e, um dia por fim, chegou o dia da libertação. Acordei de ressaca uma manhã de sábado. Eram oito da manhã, só levantei da cama e fui pro computador. Eu tinha 88 vitórias e não dava uma foda pra vida como uma criança cheia de sorvetes. Cliquei ferozmente durante horas e pra variar perdi pra cacete. Depois de quatro horas enlouquecendo com cartas virtuais e 841 derrotas, eu fiz 100 jogos ganhos.


Agora aqui estou eu. 'Satisfeitamente' traumatizado. Tive a minha vitória e agora não jogo mais paciência...Er,quer dizer, ainda jogo de vez em quando. Jogo umas e fico feliz; perco todas. O problema é que percebi que mesmo quando ganho, eu fecho o jogo antes de completar. Me fixei no número e tô preso na minha própria ideia. Acho que Paciência vai ser como sexo casual pra sempre pra mim. Acho que fiquei doente. Antes eu só não pisava em duas cores na rua!

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